Amados irmãos de Umbanda,
Eu e acredito que outros irmãos também já questionou o porque que Zélio de Moraes não publicou um livro sobre Umbanda ou ainda sobre suas Tendas, através da ajuda de irmãos da T.E.N.S.P. (Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade) eu fiquei sabendo que a Tenda tinha em seu quadro mediunico o Jornalista Leal de Souza, que logo depois torna-se dirigente de umas das sete Tendas fundadas pelo Caboclo das 7 Encruzilhas, Tenda Nossa Senhora da Conceição. Este autor conviveu muitos anos com Zélio de Moraes e com o Caboclo das 7 Encruzilhadas, no livro O Espiritismo, A Magia e as Sete Linhas de Umbanda, ele descreve como eram os cultos nas Tendas comandadas pelo Caboclo.
Trechos do Livro O Espiritismo, A Magia e as Sete Linhas de Umbanda – Leal de Souza – 1933
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XXIV
AS TENDAS DO CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS
O Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou e dirige quatro Tendas: – de Nossa Senhora da Piedade, a matriz, em Neves, subúrbio de Niterói encravado no município de São Gonçalo e as de N. S. da Conceição, São Pedro e de Nossa Senhora da Guia, na Capital Federal, além de outras no interior do Estado do Rio.
O processo de fundação dessas Tendas foi o seguinte: – O caboclo das Sete Encruzilhadas, que é vulgarmente denominado o “Chefe”, quer pelos seus auxiliares da terra, quer pelos do espaço, escolheu, para seu médium, o filho de um espírita, e, por intermédio dos dois agremiou os elementos necessário a constituição da Tenda de N. S. da Piedade.
Dez ou doze anos depois, com contingentes dessa Tenda, incumbiu a Sra. Gabriela Dionysio Soares de fundas, com o Caboclo Sapoéba, a de N. S. da Conceição, e quando a nova instituição começou a funcionar normalmente, encarregou o Dr. José Meirelles, antigo agente da municipalidade carioca e deputado do Distrito Federal, e os espíritos de Pai Francisco e Pai Jobá, com o auxílio das duas existentes, da criação da de S. Pedro. Mais tarde, ainda com o Dr. José Meirelles e o caboclo Jaguaribe receberam a incumbência de organizar, com os egressos da Tenda do pescador, a de Nossa Senhora da Guia.
Cada uma dessas Tendas constitui uma sociedade civil, cabendo a sua responsabilidade legal, e a espiritual, ao respectivo presidente que é nomeado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, independente de indicação ou sanção humana, e por ele transferido, suspenso, ou demitido livremente, bem como os médiuns que o “Chefe” designa e pode, se o entender, afastar de suas Tendas.
A organização espiritual é a seguinte: cada Tenda tem um chefe de terreiro, – presidente espiritual – um substituto imediato, e vários eventuais, chamados estes, pela ordem de antiguidade na Tenda, e todos designados pelo guia geral.
A Hierarquia, a ordem material, como na espiritual, é mantida com severidade. Cercam o Caboclo das Sete Encruzilhadas muitos espíritos elevados que ele distribui, conforme a circunstancia, pelas diversas Tendas, mas esses espíritos e mesmo os Orixás não diminuem nem assumem autoridade dos presidentes espiritual e material, e trabalham de acordo com eles. Os próprios enviados especiais mandados, de longe em longe, com mensagens dos chefes e padroeiros das linhas, só as proferem depois do consentimento dos dois dirigentes. Até o “Chefe”, quando baixa e incorpora em qualquer das Tendas, não se investe na direção dos trabalhos, mantendo o prestigio de seus delegados.
Na primeira quinta-feira de cada mês celebra-se na Tenda Matriz, uma sessão privativa dos presidentes, e seus auxiliares, e médiuns dos chefes de terreiro, e nessa assembléia o Caboclo das Sete Encruzilhadas faz as observações necessárias, louvando ou admoestando, sobre os serviços do mês anterior, e dá instruções para os trabalhos do mês corrente.
As Tendas realizam, isoladamente, sessões públicas de caridade, sessões de experiência, e as de descarga. As segundas se dividem em duas categorias: as que tem por objetivo a escolha e o desenvolvimento dos médiuns das diversas linhas e a outra, facultativa, visando estudos de caráter cientifico. As sessões de descargas são consagradas a defesa dos médiuns.
Na segunda sexta-feira de cada mês, os presidentes, médiuns, e auxiliares de cada Tenda trabalham conjuntamente na Matriz; no terceiro sábado, na de N. S. da Conceição e no quarto na de N. S. da Guia.
Anualmente, as três Tendas fazem um retiro de vinte e um dias, fora da ciade, com cerimônias diárias em suas sedes e nas residências de seus componentes. Há, mensalmente, uma vigília de vinte e quatro horas, em que se revezam os filhos das Tendas de Maria. Efetuam-se em certas circunstancias, atos idênticos, as mesmas horas, nessas três tendas. Celebram-se, ainda, outras reuniões, internas ou externas, inclusive as festivas.
Em nenhuma tenda é licito realizar qualquer trabalho sem a autorização expressa do “Chefe”, e nenhum presidente pode submeter ao seu julgamento pedido que não se inspire na defesa e no beneficio do próximo.
Para o serviço de suas Tendas, o Caboclo das Sete Encruzilhadas tem as suas ordens Orixás e falanges de todas as linhas, incluída na de Ogum, a falange marítima do Oriente.
E bastam essas anotações para que se compreenda o que é uma organização da Linha Branca de Umbanda e Demanda, concebida no espaço e executada na terra.
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XXV
A TENDA NOSSA SENHORA DA PIEDADE
Sobe a presidência do Sr. Zélio Moraes, médium do Caboclo das Sete Encruzilhadas, erigida em sítio tranqüilo, entre arvores, a Tenda Nossa Senhora da Piedade é a casa humilde dos milagres…
Atacada de moléstia fatal, a filha de um comerciante de Niterói, agonizava sofrendo, e como a ciência humana se declarasse impotente para socorrê-la, seu pai, em desespero delirante, numa tentativa extrema, suplicou auxílio a modesta tendas das Neves.
Responderam-lhe que só a noite, na sessão, o guia poderia tomar conhecimento do caso. Regressando ao lar, o desconsolado pai encontrou a filha morta, e, depois de fazer constatar o óbito pelo médico, mando tratar o enterro.
No entanto, a noite, na Tenda de Nossa Senhora da Piedade, aberta a sessão, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, manifestando-se, disse aos seus auxiliares da terra, ainda desconhecedores o desenlace da doença, que se concentrassem, sem quebra da corrente, e o esperassem, pois ia para o espaço, com suas falanges, socorrer a enferma que lhes pedira socorro.
Duas horas depois voltou, achando aqueles companheiros exaustos, do longo esforço mental. Explicou-lhes, então, na pureza da sua realidade, a situação, e mandou-os que fossem em nome de Jesus, retirar a morta da mesa mortuária, e comunicar-lhe que a misericórdia de Deus, para atestar os benefícios do espiritismo, lhe permitia viver, enquanto não negasse o favor de sua ressurreição.
Confiante em seus chefe, os humildes trabalhadores da Tenda da Piedade cumpriram as ordens recebidas, e a moca não só ficou viva, como curada. O médico, que lhe tratou da moléstia, e que lhe constatou o óbito, observou-a, por algum tempo, até desistir de penetrar o misterioso de seu caso, classificando-o na ordem sobrenatural dos milagres.
Meses depois, a mesa do almoço, conversando, a ressurreta contestou com firmeza, negando-a, a ação espiritual que lhe restituir a vida material, porém nessa ocasião adoeceu de uma indigestão, falecendo em menos de vinte e quatro horas.
Uma associação de grande autoridade no espiritismo, ao ter conhecimentos desses fatos, resolveu apurá-los com severidade, para desmenti-los ou confirmá-los sem sombra de dúvida,e, num inquérito rigoroso, com auxilio das autoridades do Estado do Rio de Janeiro, estabeleceu a plena veracidade deles, publicando, no órgão de Federação Espírita a sua documentação.
A média mensal das curas de obsedados que iriam para os hospícios como loucos, é de vinte e cinco doentes, na Tenda da Piedade.
Os espíritos que baixam nesse recinto não procuram deslumbrar os seus consulentes com o assombro de manifestações portentosas, mas as produzem muitas vezes, que lhas exigem as circunstancias.
Os auxiliares humanos do Caboclo das Sete Encruzilhadas, na tenda que é, por excelência, a sua Tenda, mesmo os que tem posição de revelo na sociedade, não se orgulham dos favores que lhes são conferidos, e procuram, com doçura e humildade, merecer a graça de contribuir, como intermediários materiais, para a execução; na terra, dos desígnios do espaço.
























